sábado, 16 de julho de 2011

Geralmente os semestres acabam. Geralmente comemoramos o rock.

Geralmente nos finais de semestre da faculdade, mais precisamente no ultimo dia da aula (ou prova) costumo sair com meus amigos e celebrar a final deste ciclo de cobranças e trabalhos acadêmicos. Desde que me conheço como pessoa que aprecia rock de verdade, sem aquela explosão de estilos e gostos que nos sujeitamos na faixa dos 13 anos, geralmente comemoro sempre a semana do rock e o dia com uma ida a algum show ou evento do gênero, geralmente acontecendo gratuito em shoppings, praças e estações do trem.


Este semestre foi diferente. Hoje fiquei sabendo do final precipitado de uma cadeira minha (reprovei, pois não obtive a nota mínima em uma das áreas da disciplina) e infelizmente não consegui comemorar com meus amigos o final do semestre e a volta a uma vida “normal”. Acredito e venho observando que este erro pode ser meu, pelo fato de estar me afastando de alguns amigos importantes, pelo fato dos estudos e horários inoportunos que a vida começa a te cobrar.

Mas mudando de assunto, ouvi uma frase muito boa. Já dizia a boa frase da banda de rock (quase) instrumental que “o vinho acabou e eu aqui tão a só”. Esta musica é do Gustavo Telles e Os Escolhidos, que se não me engano é o baterista da Pata de Elefante (aquela banda que todos dizem que gostam, mas quase ninguém conhece). A solidão, a meu ver, é um dos principais medos da humanidade. Essa tendência e necessidade de ser visto e estar vendo todos do mundo ao mesmo tempo pode ser uma comprovação deste medo.

Mas quem sou eu pra falar de solidão? Durante muito tempo na minha vida, participei de um grupo de jovens na igreja. Tal grupo tinha uma abrangência estadual, e uma estrutura regional muito bem organizada. Trabalhava-nos com uma idéia “anti-hierárquica”, mas com o tempo se consegue observar que tudo é meramente política. Voltando ao assunto, sempre fui um cara muito respeitado no movimento. Seja pela opinião formada, seja pela falta de opinião, ou ate mesmo pela habilidade ao tocar violão ou pelo modo de vida diferente da modinha local (que, na verdade, estas duas ultimas só achavam, pois nunca foi verdade). Sempre tive muitos conhecidos, fui muito conhecido e muitas pessoas me conheciam sem eu saber quem eram. São fases, são ciclos da vida.

Hoje tenho por perto alguns amigos que mais confio e que sempre estiveram muito perto. Alguns estão mais distantes, outros também, mas sempre tem aqueles que conseguimos ver.

Um dia depois do dia mundial do rock, leio os emails dos meus principais amigos, meus companheiros que se juntam uma vez por semana, se trancam em um estúdio e tocamos um pouco de rock até sentir o ouvido pedir um tempo. Já fui advertido pela minha namorada que ficarei surdo aos 27 anos, mas ficarei feliz pelos tempos de banda (e não ficarei surdo, eu me cuido!). O restante da vida se passa assim, lutando contra a solidão, relendo as mensagens escritas nas paginas do livro do Gabriel Garcia Marquez, vivendo com amigos, bebendo, se divertindo, comemorando o aniversário do seu Gaspar e juntando histórias para contar para os netos e para postar neste blog...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Os filhos, a música e o rock - 2

   Hoje, conversando um amigo meu, lembrei que faz dez meses que vi o show dos Mutantes. Até este mês, este teria sido o melhor e maior show para mim que havia visto. Falava para todos que haveria de um dia colocar para meus filhos escutar um cd e falar para eles que a Rita Lee é uma bundona (“mas não contem para a mãe de vocês que falei isso dela”) e que vi tal banda tocando ao vivo, sem a Rita Lee (não fazia tanta falta) e sem o Arnaldo Baptista (nem tudo é perfeito) – mas tinha Sergio Dias e sua Regvlvs (vulgo: Guitarra de Ouro).

   Mas o tempo passa, a vida anda e as coisas tendem a melhorar. Nesta perspectiva, dia 07 deste mês (novembro), tive o privilégio de poder pagar e ver o show de um Beatle. Certamente, meu filho terá uma sessão de introdução ao “Beatlemaniaquismo” juntamente com o comentário: “filho, ele cantou Helter Skelter para mim”. Haviam muitas crianças lá no show, pais que tiveram o imenso prazer de ver o show de um Beatle e levar seu filho junto.

   Eu não posso reclamar. Meus principais amigos estavam lá. E tive o prazer de poder levar meus pais juntos. Eles não são beatlemaníacos ao ponto de necessitar deste show para viver, contudo são muito afins de novas diversões. Geralmente brinco que meus pais gostam mais dos meus amigos do que eu mesmo. Direi para meu filho: “Senta aqui guri que vou te contar uma história. Um dia teu pai, teu vô e tua vó (e talvez tua mãe também, rsrsrs) foram para o show de um Beatle (mostrarei tais fotos...)”.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Volta

Depois de um bom tempo, novamente me encontro aqui, nas linhas do computador. Diversas coisas aconteceram neste tempo, algumas boas, outras nem tanto e outras que se denominasse boa seria um rebaixamento da real importância do ocorrido.

Agora, na atual conjuntura social, pessoal, profissional e sentimental que me encontro, me vejo convidado a reativar este blog. A vida anda corrida, cheia e cada vez mais agitada, contudo, ainda existem aqueles momentos na vida em que temos que produzir na frente do computador e não temos saco pra inúmeras folhas prontas para ser digitadas em um relatório da empresa, nem para escrever emails que deveriam ser enviados e também não entendemos a matéria que temos que dissertar, deixando-a de lado para poder esclarecer dúvidas antes continuar o tal trabalho.

Acontece. Descobrimos com o tempo que a vida (além de acontecer em ciclos) sempre deixa suas surpresas e o que parece estar perfeito e inatingível de mudanças desaparece, fazendo nos quase perde o contato instantaneamente. Ou ainda, esta perfeição tão simples e sincera antes observadas por muitos, parece não fazer mais diferença quando vista diariamente ou quando ficada temporadas sem vê-la.

Com o tempo também, esta historia de blogs começa a ficar um pé no saco. Sabemos que algumas pessoas entram no blog somente para poder bisbilhotar sua vida e que muitas pessoas possuem um somente para poder colocar sua vida e ser bisbilhotada. É a grande vontade do ser humano de ser e querer saber o que não lhe pertence. Porque (desculpem, até hoje não aprendi quais os porque’s que devo usar para cada situação) programas bestas de televisão fazem sucesso somente mostrando pessoas confinadas em vivendo em um lugar? É a infinita força da ignorância (como diria um professor meu).

Quem me conhece se diverte bem mais com tais textos. Quem não me conhece, mas é um leitor assíduo, também. Falando em leitor assíduo, agradecer quem quer que seja as pessoas que estão lendo isso, pois, mesmo nestes meses em que não publiquei nada, tive uma média de 25 acessos semanais o que considero bom para um blog a alguns meses sem nenhuma publicação nova. Mas, voltando ao assunto antes citado, queria dizer que, como um cara muito romântico, com a vida me mostrando que não é tão perfeita assim, irei voltar aos braços de quem gosto muito. Em breve, te terei nos meus braços novamente, ouvindo você falar o que eu gosto de ouvir, mesmo que esteja com uma corda arrebentada e um pouco empoeirado. Afinal, gosto muito de ti: meu violão.

Obs.: Palavras citadas neste texto (tais como violão) podem ser consideradas (ou não) metáforas, personificações ou figuras de linguagem.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

"O fim das 'igrejas inventadas' se aproxima!" - Diz o pequeno pastor...

Neste mundo conturbado por conflitos existenciais, correrias urbanas crescentes, explosão demográfica no seu ápice, igrejas de todas as formas e para todos os gostos e as pessoas praticamente vendendo novamente os lugares no céu (*), observamos nos pequenos o potencial para ser o pastor que jamais o mundo ouviu falar. R. R. Soares, Edir Macedo e Silas Malafaia que se cuidem: o fim se aproxima...

Com voces, o pequeno pastor:



















* Com todo respeito, devemos pensar duas vezes antes de comprar um lugar no ceu. Olha quantas pessoas ja morreram, quantas mereceram os lugares no ceu e quantas ja compraram latifundios inteiros na epoca da inquisao. Devemos nao aceitar a conversa de qualquer um, ler todo o contrato e perguntar se aceitam o dinheiro de volta caso ja exista um inquilino no terreno.

Os fIlhos, a música e o rock

É, com o tempo envelhecemos. Isso não é ruim. Isto nos deixa mais maduros e próximos das pessoas que cremos que iremos ver durante um bom tempo de nossa vida. Observamos que nos últimos três anos não mudamos os núcleos de vivência, os amigos, os lugares para onde saímos e nem mesmo a camisa de flanela. Mudamos os assuntos. Falávamos em montar uma banda de rock, ter uma guitarra bacana e poder um dia dirigir um carro na “Free-way” ouvindo Raul Seixas. Hoje já dirigimos frequentemente trabalhando, ouvindo engarrafamentos a fora um bom e velho rock, possuímos nossas guitarras (no meu caso, tal instrumento não foi tão apaixonante como esperado...) e até planejamos o futuro de nossas vidas.

Numa dessas conversas, me vi falando com um grande amigo sobre filhos. Foi aí que bateu o estalo do amadurecimento. Nada fora de hora. Nada antecipado. E sim algo que não fica tão longe dos nossos planos de vida. Lembro da abertura do show no DVD do AC/DC, onde aparece um pai com uma criança na cacunda no show. A criança esta “equipada” com protetores auriculares e devidamente vestida com a tiarinha de chifre. E o melhor: aos seus seis ou oito anos, ela canta (ou ao menos tenta) “Stiff Uper Lip”. Um dia teremos filhos e eles serão educados com fundos musicais do bom e velho rock. Talvez, por questões egocêntricas e de desenvolvimento continuo, será sempre bom mostrar para ele quem foi e o que fez Sebastian Bach (vai que o guri se empolgue e se puxe). Tirando isso, nada como o bom e velho rock para educar. Sou filho da geração que escutava no rock brasiliense a sua voz. Meu pai deu meu primeiro cd do Raul e minha mãe falou, em outro momento, “isso é Mutantes meu filho” (após eu mostrar uma musica que escutei e havia gostado). O rock foi bom e bom ele será.

Da vida nos resta somente sonhar. Não saberemos como serão nossas vidas. Fazemos projetos, sonhamos um pouco, relacionamos bandas e músicas todos os dias, meses, períodos... Espero que, quando nascer, ainda exista a musica sem calcas coloridas no mundo e sem bundas de fora para o guri poder conhecer e gostar.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Vou me redimir

São poucos, mas alguns (acho que dá até para contar nos dedos) leitores (mais amigos que leitores) estão reclamando da ausência de textos novos. Farei o máximo para conseguir viver mais, me divertir mais e, assim, conseguir carregar experiências para novas postagens.

Prometo: irei me redimir!

Abrass a todos e (no máximo) em uma semana tem mais...

Vinícius Ferreira.

A leitura e as filas de espera

Tenho os livros como principal argumento do que fazer nos momentos ociosos diários da vida urbana, tais como filas de banco, paradas de ônibus, trajetos de trem e esperas para o atendimento no dentista. Algumas vezes a leitura é profundamente atrapalhada por uma conversa constante por perto, mas o que mais desagrada (entre as interrupções literárias) é o fundo musical da espera no dentista.

No dentista que freqüento o hit era Latino. Nada muito agradável. Permaneceu neutro quando começaram a colocar Rick Martin. “Lascou” mesmo quando compraram o DVD do Sampa Crew. Sem muito respeito com quem goste deste “conjunto musical” (música aquilo?), começa errando a banda quando escolheu o nome. A partir daí foram inúmeros erros. O erro final e culminante foi ter gravado um DVD e ter chegado isso nas mãos das gurias (recepcionistas) que trocam o fundo musical. Acontece, nem tudo é perfeito.

Mas, deixando a breve critica de lado e mostrando que conseguimos observar as coisas boas nos inúmeros erros, digo que hoje, finalizando o meu tratamento de canal, estava passando na televisão da sala de espera um programa de viagens de alguma televisão fechada (fechada entende-se não aberta, por assinatura ou coisa do tipo). Bastante bom. Deixei de lado, com um certo receio, a leitura e coloquei-me a ver o tal programa. Vai saber: é uma decisão muito difícil e perigosa para seu conhecimento deixar de ler um livro e ir assistir televisão. Mas foi de bom proveito. Belo programa falando de viagens, mostrando alguns observatórios astronômicos do Havaí e o maior telescópio do mundo. Ciente que geralmente sou muito preconceituoso com o que se passa na televisão e vira moda, continuei a ver o tal canal. Começou a passar um programa mostrando jovens inteligentes (vulgo nerd’s) e algumas mulheres bonitas que podem ser equiparadas com as loiras das múltiplas piadas de mal gosto sobre a inteligência da mesma. Me impressionei quando ela respondeu que não sabia quem era Che Guevara. Foi o fim da picada: como ela não conhece um dos (se não o) maiores líderes revolucionários da América latina, estampado em diversos lugares, símbolos da luta contra o capitalismo, referencia na resistência ao Tio Sam e o maior vendedor de camisas já conhecido? Esqueci o programa que ficou cada vez mais deprimente e voltei a ler meu bom e (nem tão) velho livro.

Agora resta saber o que estará passando semana que vem na ultima consulta minha do dentista (tenho medo que piore, já que é a ultima... O que poderia ser pior? Wando? Enesita Barroso? É, não consegui achar comparativos piores...).